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Trainspotting

CRÍTICA
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Nota: 8.6

Quando soube que ia sair a sequela deste filme, comprei e li os dois livros, o Trainspotting e o Porno.

Adorei estes livros e tive de rever o primeiro filme para estar completamente preparado para a estreia do Trainspotting 2.

O autor destas obras, Irvine Welsh, está de parabéns pela forma como nos conta as histórias das personagens, interligando-as e encaixando-as num ambiente que se mescla com as próprias personagens, numa narrativa genial e original. À medida que vamos acompanhando as histórias sentimo-nos cada vez mais sujos e envolvidos na miséria de cada um. São histórias e um ambiente perfeitos para serem passados para a tela através do cinema europeu, pela suas característica intrínseca de ser nu, sem truques na manga. Se as personagens são feias, sujas e miseráveis, vamos mostrá-las como são.

É-nos apresentado como mote o livre arbítrio da heroína. Para o protagonista, primeiro está a heroína e só depois vêm todos os outros apetrechos como a vida (na verdadeira assumpção da palavra), a família, os amigos, as relações sociais e afins.

O realizador Irvine Welsh, tal como vários génios do cinema, interpreta uma das personagens do filme. E que bela personagem ele escolheu, apesar de não ter a certeza se a minha opinião está influenciada por já estar muito familiarizado com a personagem, por ter lido o livro.

Uma característica muito forte dos diálogos das obras de Irvine Welsh é a presença das referências musicais e cinematográficas em forma de metáforas, analogias ou simples referências ilustrativas. As boas histórias regadas com a cultura autóctone do autor, enriquecem o todo.

A crítica ao filme acaba por se misturar com a opinião que tenho do livro por as personagens do filme serem fiéis àquilo que conheci no livro. Apesar da narrativa ser muito diferente, a essência está lá e no filme temos ainda a arte da imagem. São exemplo disto as partes animadas, fantásticas, que ilustram genialmente as mocas alucinogénicas. A mítica cena da sanita não me desiludiu, passado estes anos ainda está muito bem feita e não são necessários efeitos especiais modernos para a melhorar.

Felizmente parece que este filme foi o lançamento de Kelly McDonald (Diane), actriz que me acompanhou durante 5 temporadas em Boardwalk Empire.

Em suma, este filme tem tudo para eu gostar bastante! Um tema interessante e pesado, enquadrado num ambiente com as mesmas características, actores que desempenham na perfeição os seus papéis, uma banda sonora à medida e, ainda, fizeram arte na pós-produção.

Se nos regemos por uma lei própria, podemos acabar sozinhos mas… podemos acabar felizes? Fica a questão.

Dentro do tema, é o meu filme favorito!

Trainspotting
Ficha Técnica