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The Godfather – Part I

CRÍTICA
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Nota: 9,3

Tudo começou com os livros de Mario Puzo. Li “O Padrinho”, depois o “Último dos Padrinhos” e não parei.
Já há muitos anos que sou fascinado pela história da Máfia Italiana e pela sua influência nos Estados Unidos da América (EUA). Vi vários filmes relacionados com este tema mas ainda me faltam ver muitos outros.
Há um tempo lembrei-me de pegar na lista do Top250 do IMDB e um dos primeiros filmes dessa lista é este, “The Godfather”.
Acho que já tinha visto o primeiro e segundo filmes desta trilogia mas, como foi há muito tempo e visto que ainda não tinha escrito a minha opinião acerca destes filmes, decidi voltar a vê-los. Grande escolha, posso afirmar.
Tal como um típico cozinhado italiano, tudo é feito com a calma necessária, deixando apurar bem de forma a tirarmos partido de todos os pormenores de cada ingrediente.
Temos a cultura italiana envolta por todas as suas características fincadas de valores familiares, a religião, a união como base consistente para se construir algo forte e sustentado. Estes valores são-nos passados através da interacção entre as personagens, acompanhados pela típica música italiana que consegue tanto trazer festa, pela rapidez com que as cordas dos instrumentos são fustigadas, como uma calma contagiante, pelo carinho com que as mesmas cordas podem ser tratadas. De um ponto de vista geral, sente-se calma na forma como a história é contada.
Esta cultura tenta-se manter fiel aos valores dos seus antepassados, seguindo regras e normas tal como foram definidas primariamente. É exemplo disso o honrar os pedidos de terceiros, por parte do Padrinho, no dia do casamento da filha. Este pormenor, para mim, é interessantíssimo.
Mesmo uma cultura forte como esta sente dificuldade em manter-se fiel às suas raízes quando começa a sofrer um problema típico dos imigrantes, a aculturação.
Comparando ambas as realidades apresentadas, na Sicília e nos EUA, vemos que, neste último, os valores começam-se a perder, e assim se abrem brechas no escudo da Família Corleone.
Olhando para Don Corleone (Marlon Brando), percebemos que o seu único objectivo é cuidar da família, assegurando um futuro descansado para todos os seus membros. Não vemos ganância na sua índole. Este é um ponto de diferenciação para com a “nova geração” da Máfia. Este é um valor prezado pelas raízes da Máfia.
Como uma história bem contada que retrata fielmente a realidade, não seria possível falar da Máfia e dos EUA sem mencionar as intrigas, os jogos de poder, os ajustes de conta e a corrupção. Tudo isto engendrado com a mestria típica dos experientes “Dons”. Especialmente a corrupção que é algo tão enraizado na cultura americana e que é exponenciado sempre que a Máfia é retratada, tendo em conta todas as suas ligações.
Espero que retrate também fielmente a Sicília. Este é um destino que quero muito visitar “apenas” para usufruir da paz, das paisagens e tentar experienciar um pouco do estilo de vida dos sicilianos. Pelo menos esta é a imagem que este filme me passa desta terra.
A narrativa do filme é muito boa pois torna difícil a previsão dos acontecimentos. Mesmo conhecendo a história, não previ “o quando” de certas situações. Este “factor surpresa” é sempre bom para nos agarrar ainda mais ao ecrã.
Aproveito e pergunto, o que se poderia esperar de um argumento de Mário Puzo e Francis Ford Copola representado por Marlon Brando (o verdadeiro Padrinho deste primeiro filme) e Al Pacino (aqui começou a revelar as suas grandes capacidades)? Na minha opinião, algo delicioso!

The Godfather – Part I
Ficha Técnica