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Magnolia

CRÍTICA
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Nota: 7,9

Penso que já tinha visto este filme há muito tempo mas irei considerar o primeiro filme que vi do realizador Paul Thomas Anderson (tanto desta vez ou da última que não me lembro). Pelo que vi deste filme e pelos outros filmes deste realizador, tenho quase a certeza que é um realizador do qual vou gostar muito. Agora tenho de continuar a explorar a sua filmografia.
As expectativas estavam altas pelo que fui ouvindo/discutindo acerca deste filme ao longo dos anos. E…
O tema central são as coincidências. Será que lhes devemos chamar assim ou atribuir estas situações ao destino? De uma forma ou de outra, fazem-nos pensar.
Gostei do facto de terem explorado um conceito que já me fez pensar bastante. Existem «palavras mágicas»? Passo a explicar. Será que existe um conjunto de palavras que ditas num determinado momento (espaço-tempo), conduzem certa situação ao desfecho ideal do ponto de vista de quem as profere? Na minha opinião… não sei. Acredito que sim, em quase todas as situações com que nos podemos deparar mas, por outro lado, fica a dúvida em algumas situações extremas, muito extremas. Levanto aqui a questão para que pensem acerca da mesma.
Falando agora da parte técnica do filme, a nível de filmagens, temos todo o tipo de planos desde aqueles mais gerais, que nos trazem uma visão abrangente, àqueles mais fechados, que nos levam a dar atenção ao detalhe. Temos planos enquadrados e firmes mas também daqueles que baralham, pelo movimento feito pela câmara. O seu conjunto é formado por uma diversidade que se une na beleza e qualidade, tal como as diferentes histórias, das diferentes personagens, que acabam por unir-se, as tais histórias cruzadas.
Temos ainda boas montagens e excelentes passagens entre cenas. Sempre a pontuar.
Como acabei de referir, este é um filme de histórias cruzadas, um estilo que me apraz muito. São elas a do Polícia; a do trio: o Phil, mais o velho doente, mais a mulher do velho doente; a do Engatatão; a da Filha com uma relação problemática com o Pai; a do «ex-miúdo do concurso» e; a do «actual miúdo do concurso». Todas estas histórias têm uma ligação, a pluviosidade. Bem, talvez tenham algo mais, visto que se cruzam.
Penso que a melhor forma de apresentar o elenco de luxo será pela mesma ordem das histórias referidas no parágrafo anterior. Segue então: John C. Reilly, Philip Seymour Hoffman, Jason Robards, Julianne Moore, Tom Cruise, Melora Walters, Philip Baker Hall, William H. Macy e Jeremy Blackman.
Juntando os tópicos das histórias com este elenco, só podemos ter, no mínimo, algo fora do comum. Esta é uma característica que, pelo menos a mim, desperta a vontade de ver um filme.
A acção do filme é rápida, o que causa tensão e, consequentemente, agarra-nos ao filme. Juntemos uma boa banda sonora, mais especificamente, o som de fundo, e ainda exponenciamos mais esta tensão. Sempre a pontuar.
É extremamente difícil fugir aos clichés e é neste ponto que, muitas vezes, se distinguem os bons dos maus filmes. Neste caso específico, são-nos dados alguns clichés que acabam por ser justificados através dos diálogos – diga-se de passagem que esta é a forma mais fácil de «descalçar a bota» ao contar uma história no cinema. No entanto, tal como já vi no filme «Nynphomaniac», a forma como estes clichés são justificados, o tom cómico utilizado nesta tarefa, levam-me a gostar do facto de os terem utilizado, de forma a proporcionarem ainda mais uns bons momentos de cinema. Sendo a segunda vez que me deparo com esta situação, ou a segunda vez que reparo nesta situação, penso que seja um «estilo», digamos. E sendo assim, propositado, suavizo a minha crítica anterior, levando-me a refazê-la. Passo de «não utilizar clichés é o desafio…» para «não utilizar clichés é o desafio… mas saber ridicularizá-los, também o é».
A moral assenta em aprender com os erros. Por vezes existe uma grande pressão da sociedade onde nos inserimos, a qual está cada vez mais alargada tendo em conta o conceito de «aldeia global». E quando esta pressão é incutida pelos mais próximos, custa mais a suportar. Quem pressiona e quem é pressionado, ambos devem tentar aprender com os erros. Esta é uma forma mais eficaz do que aprender com os sucessos.
O filme acaba por ser um pouco pesado mas as cenas caricatas atenuam o ambiente. São histórias fortes contadas quase que ao estilo de conto, passo a redundância.

Magnolia
Ficha Técnica