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Café Society

CRÍTICA
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Nota: 6,7

Mais um filme de Woody Allen para juntar ao conjunto de trabalhos que assisti deste realizador.

Desta vez Woody Allen apresenta-nos uma história narrada (por ele próprio) ao estilo conto de fadas. O narrador dá-nos tudo o que precisamos de saber para complementar a acção do filme. Por vezes até podemos ter a percepção  que nos está a dar demais mas é assim que conseguimos sentir o estilo conto de fadas, em que tudo nos é facilitado, quais crianças.

Envolvidos no ambiente cinematográfico de Hollywood, acompanhamos Phil Stern (Steve Carel) e toda a restante fauna responsável pela criação da 7ª Arte, no ano de 1930. Phil é um agente de celebridades, um facilitador num meio difícil de gerir, principalmente a nível emocional. No meio da sua vida atribulada é-lhe confiado um sobrinho que precisa de ser guiado ao encontro de uma nova profissão. Esta acaba por ser a premissa que serve de ponto de partida para Woody Allen apresentar toda a história que irá entrelaçar as restantes personagens. A apresentação das personagens é feita através do narrador, como se este estivesse a ler a backstory de cada uma delas.

A personagem que se destacou mais foi Bobby (Jesse Eisenberg), não apenas por ser o protagonista mas por a sua personagem ser a que Woody Allen interpretaria se estivéssemos nos anos 70. Todas as características desta personagem fundamentam este facto. Temos um homem nervoso, inseguro e atrapalhado. Desorienta-se tanto na forma como se relaciona com as outras pessoas como ao interagir com o meio em redor.

Com o decorrer da acção, Bobby solta-se e vai moldando uma nova personalidade. Esta personagem já permite a Jesse Eisenberg desempenhar um papel mais próprio, sem estar associado às actuações de Woody Allen.

A actriz Kristen Stewart que interpreta o papel de Vonnie, surpreendeu-me com a sua representação. A única referência que tinha do seu trabalho foram os seus papéis como aspirante a vampira. Apesar de se dizer que ela tem sempre a mesma cara, penso que se encaixou perfeitamente neste papel.

Ao longo destes anos, comentei que Steve Carel salvou algumas das más comédias românticas que vi. Denotei sempre qualidade neste actor e não me chocou vê-lo a trabalhar com Woody Allen.

Relativamente aos temas paralelos que Woody Allen apresentou neste filme, estes foram: os judeus — sempre explorado nos seus filmes — e a história da máfia de Ben. Esta última acaba por servir de adereço à história principal, cortando a acção para nos oferecer uma realidade diferente da linha que estamos a seguir. É um paralelismo entre o mundo do cinema e o da máfia em que só os mais fortes e bem relacionados sobrevivem. Este é sempre um tema que me interessa nem que seja apresentado em estilo de comédia.

Posso então concluir, dizendo que este filme é o mais simples de Woody Allen a nível de enredo — apesar de que poderia facilmente ter complicado —, pelos menos tendo em conta os filmes que vi até à data. Não obstante, mostra a qualidade técnica deste realizador. Mais uma vez fez arte mas neste caso não me deu aquilo que mais gosto nos seus filmes, um enredo complicado que nos faz pensar.

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