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Black Mass

CRÍTICA
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Nota: 6,9

A qualidade da realização deste filme pode ser sustentada pelo excelente plano inicial, mais especificamente, o primeiro frame.
Continuando a apontar pormenores, gostei de como iniciam a construção da personagem do protagonista, trabalhando a sua personalidade através de pequenos pormenores. É um bom exemplo a situação em que o grupo está sentado a reunir num café enquanto se desenrola um diálogo que inclui a temática de uns amendoins (ou o que é aquilo que está na tigela).
Como tenho vindo a referir ao longo do tempo, o tema da máfia é algo de que gosto muito. Desta feita, o foco é a máfia irlandesa. Estamos perante um grupo de máfia local, onde todos os membros se conhecem desde pequenos visto que pertencem todos ao mesmo bairro, o seu território desde crianças.
Com o avançar dos anos e com a expansão do seu poder, acabaram por colidir com a máfia italiana, tanto a nível de interesses como territorial. Algo expectável tendo em conta a época e a localização onde a acção se desenrola. Nesta altura, a máfia italiana estava já muito bem instalada um pouco por todos os EUA, havendo posições mais sólidas em certos pontos estratégicos.
O habitual será haver a mão das autoridades nestes ambientes, seja para sugar parte do dinheiro que se gera no submundo, seja para fazer valer os seus interesses políticos, extorquindo estas máfias.
Desde senadores ao FBI, todos estão interessados em tirar partido destas organizações criminosas, apenas fazendo “justiça” quando lhes convém. São estas organizações mafiosas legais que andam sempre de mão dada com o mundo paralelo.
Os temas supramencionados são a cama onde se deita o Jimmy (Johnny Depp), protagonista deste filme, o qual tem como base a biografia deste famoso mafioso.
É interessante explorar estes gangsters à moda antiga. Saber como faziam muita coisa às claras sem sofrer grande parte das consequências, especialmente os mais implacáveis, como Jimmy.
Quando juntamos a isto a nacionalidade irlandesa, fica ainda mais interessante pois, para o público em geral, esta é uma máfia que não se destaca muito, ficando à sombra da Máfia italiana, obviamente.
Referindo a máfia irlandesa não podemos deixar de parte o IRA. Esta é uma organização que aparece muitas vezes relacionada às máfias que aproveitam os ambientes onde se deslocam e os proveitos auferidos para aumentar as suas margens fornecendo armamento a este grupo ou doando parte dos seus ganhos pela causa da independência.
Não conhecia a história deste gangster e gostei da sua personalidade, a forma como era respeitado pela sua frieza. Algo que também contribui para esta sua posição é o seu ar demente, quase cadavérico. O aspecto acaba por fazer parte da sua personagem, da sua personalidade, pelo menos no filme.
É de realçar que a versatilidade de Johnny Depp em muito contribui para a excelência da personagem. Por outro lado, a nível de caracterização, acabei por ficar com o pé atrás. Achei que o aspecto era forte demais, muito degradado e tive de pesquisar o verdadeiro Jimmy. Descobri que ele não tinha um ar tão carregado quanto o da personagem do filme visto que este último tinha um aspecto mais próximo ao de um White Walker do que propriamente ao do Jimmy real.
Caracterizações à parte, volto a referir o excelente papel desempenhado pelo Johnny Depp e friso também o restante elenco de qualidade.
No final temos um tema interessante apresentado por uma boa realização e um grande elenco. Apesar de já ter visto filmes melhores dentro do tema, recomendo este filme.
Fica apenas um pouco aquém das expectativas pela acção e caracterização. Mas como costumo dizer, nas biografias por vezes é difícil dizer mais do que o que foi, e já foi muito.

Black Mass
Ficha Técnica