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BEFORE THE FLOOD

CRÍTICA
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Nota: 6,5

Leonardo DiCaprio é o embaixador da ONU para o ambiente. Sim, para quem não sabe, é uma realidade. Posso já começar por esta controvérsia. Utilizam a imagem desta estrela para promoverem as suas campanhas ou este é um activista que tem o conhecimento para atender a este cargo? Penso que não existe a obrigação de escolhermos a opção A ou B visto que a realidade poderá estar mais próxima do meio termo. Ou seja, Leonardo DiCaprio tem um certo nível de conhecimento acerca desta área que, conjugado como o reconhecimento público, pode ter uma grande influência junto das massas.

Partindo do princípio que tanto Leonardo DiCaprio como a organização que representa têm a mesma missão, podemos dizer que o seu papel é pertinente na medida em que a organização pode guiá-lo através do seu conhecimento, recursos e experiência.

O mote deste comentário é mostrar que o aquecimento global existe, explicando todos os impactos ambientais negativos que este acarreta bem como quais as possíveis soluções para minimizá-los.

 

Como não estamos perante um tema fácil, são dados exemplos práticos da abrangência deste problema, passando por várias zonas do mundo onde se consegue ilustrar o quanto estas estão a ser afectadas. Outro exemplo, ainda que metafórico e premonitório, é o quadro que é mostrado inicialmente, o qual faz um desenho dos problemas que nos preocupam nesta temática, pois acabamos com uma imagem de caos depois de nos apresentarem uma natureza em harmonia. Refiro-me ao quadro “O jardim das delícias terrenas” que DiCaprio tinha por cima da sua cama em miúdo.

Voltando aos assuntos terrenos, será que é o aquecimento global que está a causar estes efeitos? Muitas organizações e pessoas, com interesses nas indústrias que alegadamente estão a causar este desastre global, defendem que esta é uma teoria criada por certos cientistas e organizações, tentando descredibilizá-los através de estudos feitos pelos “seus” cientistas.

É uma luta constante entre estas organizações, que tentam ganhar o apoio das massas, como se se tratasse de uma campanha política ou religiosa.

Sou da opinião que para a nossa sociedade é mais fácil crer que existe o aquecimento global porque sempre nos foi apresentado como um problema real. No entanto, por exemplo nos EUA, tendo em conta as grandes campanhas feitas para desmentir a existência deste problema, deduzo que a sua população não terá tantas certezas. Tendo em conta que os EUA são acusados de serem uns dos principais responsáveis pelo agravamento desta situação, será mais fácil convencer a população de que este é um falso problema, prometendo que podem continuar com o seu estilo de vida e atenuando o sentimento de culpa que poderão sentir.

 

Outro ponto muito controverso, e que merece uma análise mais profunda, é a ligação directa entre a industrialização dos países e os níveis de poluição que produzem. Já tinha discutido várias vezes esta questão mas nunca a tinha visto ser abordada nem no cinema nem na televisão.

A grande questão é: será justo privar os países menos desenvolvidos de se industrializarem utilizando energias mais baratas (e, paralelamente, mais poluidoras), tendo em conta que o nível de saturação de poluição que o mundo atingiu teve como grande contributo a industrialização dos países, ditos, mais desenvolvidos?

Por um lado, podemos dizer que não é justo, mas teremos de fechar os olhos à situação actual do mundo e “seja o que Deus quiser”.

Por outro lado, podemos dizer que, mesmo não sendo justo, esses países têm de utilizar energias alternativas (mais caras) no seu processo de industrialização para não piorar os níveis de poluição actuais.

Levanta-se então outra questão: onde vão estes países arranjar o dinheiro para as energias alternativas (renováveis, como a solar e a eólica)?

Estas podem ser fornecidas pelos países mais desenvolvidos ou podem ser dadas ajudas monetárias pelas organizações mundiais. O problema aqui é o dinheiro! Obviamente que não é fácil disponibilizar dinheiro, pelas mais variadas razões: não existirem verbas, impedimentos por parte de quem beneficia destas ajudas para outros fins, entre outras.

Adiciono ainda mais uma variável: e se estas energias se tornassem mais baratas?

Para isso teríamos de atingir o ponto da utilização massificada destas energias, entrando em conflito de interesses com as indústrias que giram em torno das “energias baratas” (combustíveis fósseis). Esta é uma guerra que se está a revelar impossível de ganhar pelo nível de poder que atingiram estas indústrias.

Como qualquer problema complexo, também este deve ser dividido em várias partes e resolvido paulatinamente. Os países menos desenvolvidos e com pouca capacidade financeira devem traçar um plano de industrialização que tenha uma política mista de utilização de combustíveis fósseis e energias renováveis, de forma a não terem de investir montantes tão avultados e, possivelmente, com este planeamento poderão conseguir ajudas das organizações mundiais. Ao reduzirem a utilização de energias baratas, reduzem as emissões de CO2, tendo menos custos com as taxas inerentes a estas emissões.

Obviamente que estes planeamentos não serão suficientes para resolver ou mesmo estancar a situação actual mas ajudariam cada um destes países a darem um passo em frente.

 

Uma informação curiosa que é passada neste documentário é que na China a população

sabe quem polui e em que quantidades, por existirem relatórios públicos. Esta medida ajuda, por um lado, a fazer pressão social sobre os poluidores (o que não interessa aos desavergonhados com poder económico) e, por outro, a identificar quem temos de regular e que novas medidas têm de ser criadas.

 

No final, quando é feita publicidade ao website desta causa (Before the Flood), os criadores do documentário e militantes da causa, perdem um pouco de credibilidade. Se até esse momento podemos estar a ser evangelizados e sensibilizados para o problema, tudo isto perde força por desviarmos a nossa atenção para a causa solidária que, implicitamente (ou não de forma tão implícita), se associa a um peditório.

 

Cinematograficamente, temos grandes planos e uma narrativa maleável o quanto baste para conseguirmos vários pontos de vista. Não digo que esta é diversificada porque acabam por fazer um pouco de campanha política ao atacar algumas alas do governo americano, ocupando muito do tempo útil do documentário com isso.

 

A conclusão é que acredito que as indústrias poderão estar a causar o aquecimento global mas não devemos ser estreitos relativamente às conclusões. Deixemos o fundamentalismo de lado e pensemos acerca de acções, passo a passo, que levem a uma solução sustentada, a longo prazo.

BEFORE THE FLOOD
Ficha Técnica
Título: BEFORE THE FLOOD capa-de-before-the-flood
Director: Fisher Stevens
Elenco: Género: Notícias
País: estados unidos da américa
Ano: 2016