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Interiors

CRÍTICA
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Nota: 7,3

Sim, vou escrever sobre um filme de Woody Allen. Poderá não parecer tendo em conta o tom deste filme, uma tragédia.
Tal como tantos outros filmes de Woody Allen, este também conta com a presença de Diane Keaton. Esta actriz faz parte da imagem de marca deste realizador visto ter trabalhado com ele em muitas das suas obras. A sua presença na vida de Woody Allen vai além dos projectos profissionais pois tiveram um caso amoroso durante a década de 70, apenas um pequeno pormenor.
As relações humanas exploradas nesta história centram-se no seio de uma família com intrincados problemas relacionais, a qual enfrenta a depressão profunda da matriarca.
Sendo a nossa mente algo muito complicado, perder o controlo da mesma pode levar à demência. Há que estar atento aos desníveis emocionais de quem nos rodeia de forma a prevenir eventuais quedas irreversíveis.
As três filhas deste casal são todas artistas, seguindo a linha da sua mãe. Este facto leva-me a pensar acerca das expectativas que criamos tanto a nível pessoal como para com terceiros, especialmente aqueles que nos são mais próximos, poderem por vezes dar-nos motivação para atingirmos os nossos objectivos mas, caso saiam fracassadas, poderão ser muito difíceis de gerir. Tal acontece com estas personagens, que se julgam entre si, juntamente com os respectivos maridos e, ainda, preocupando-se com o julgamento superior, dos seus pais.
Todos precisamos de elogios para continuar e estes não são fáceis de se obter quando quem nos deveria elogiar não se encontra suficientemente bem consigo próprio para exteriorizar os pontos positivos dos demais, de forma natural.
Elogios vazios e com um tom pouco credível são os que se trocam entre estas personagens, por mais que queiram utilizá-los com o objectivo de confortar. Todas as personagens estão quebradas e isso transpõe-se para o ambiente do filme, tornando-o pesado.
No meio de todos estes artistas ouvem-se e vêem-se os mais variados clichés acerca dos artistas. O apoio no álcool, os problemas existenciais, as frustrações de não atingir o topo, entre outros. É aqui que, mais uma vez, Woody Allen revela o seu poder como argumentista, escrevendo de forma exímia acerca de ideias estereotipadas.
Como ele não poderia deixar de mencionar, crítica os Judeus, fazendo uma leve menção das suas características.
Li na sinopse do filme que esta é uma obra que teve como inspiração o estilo de Ingmar Bergman. Não sou grande fã deste realizador, como escrevi na crítica do filme The Seventh Seal. No entanto, hei-de ver pelo menos mais um filme deste realizador pois penso que poderei vir a gostar. Se gostei desta tragédia, porque não hei-de gostar de um dos mestres deste estilo?
Coloco Woody Allen num pedestal pela sua qualidade elevada nas comédias, com um estilo de humor que me cativa, e tenho de lhe conceder ainda mais mérito pela qualidade que consegue atingir em estilos diferentes, como nesta tragédia.
Mais uma vez agradeço a este realizador pelos excelentes momentos de cinema que me proporciona.

Interiors
Ficha Técnica
Título: Interiors capa-de-interiors
Director: Woody Allen
Elenco: Género: Drama
País: estados unidos da américa
Ano: 1978