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Big Eyes

CRÍTICA
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Nota: 5,5

“Antes de o divórcio se tornar moderno” é uma frase para se situar o filme na época em que se desenrola, funcionando ao mesmo tempo como uma crítica. Podemos explorar esta crítica dando-lhe um toque de teoria da conspiração, falando da massificação desta situação como o exponenciar de um nicho de mercado. Obviamente que a emancipação feminina – entre outros factores – também levou a uma maior liberdade de escolha em termos do rumo a seguir. Não vou desenvolver mais este assunto pois o filme foca-se no antes desta massificação e não no seu boom.
Vou então focar-me em alguns pormenores de que gostei.
O bairro que aparece no início deste filme faz lembrar o que serve de base ao filme “Edward Scissorhands” (Eduardo Mãos de Tesoura). Sendo ambos os filmes de Tim Burton, na minha opinião, surge como que uma imagem de marca, um simbolismo da sua obra.
São-nos apresentados cenários com cores vivas, como que pintados a pastel. Sendo este um filme sobre a arte da pintura, o ambiente envolve-se com a acção de forma harmoniosa, pelo menos o enquadramento inicial.
A passagem para a demência de Walter Keane dá-se quando começa a ficar com um ar doentio, parecendo a sua expressão, por vezes, a de Joker (de Batman), passo a hipérbole. Isto revela bem o que a ganância pode fazer às pessoas que se deixam levar por certo tipo de estatutos, sendo muito difícil recuar.
Pronto, esgotei os “elogios”. Para um filme de Tim Burton estava à espera de muito mais. Poderia ter acontecido como no remake de “Alice in Wonderland” (Alice no País das Maravilhas), em que não gostei da história mas adorei as personagens criadas pelo génio de Tim Burton. No entanto, apesar de gostar de um ou outro pormenor, estes não foram suficientes para “cobrir” a acção insípida deste filme.
Os filmes baseados em factos verídicos, como por exemplo as biografias, por vezes, não têm muito por onde inventar. É aqui que entra a dificuldade de execução de uma boa peça, pois a criatividade é isto mesmo, criar algo bom de forma diferente, ultrapassando barreiras.
No caso específico desta história, até havia por onde explorar, de forma mais intensa, exagerando mais, além do tamanho dos olhos.
Podemos, mais uma vez, apontar o dedo às criações com destino às massas? Penso que sim. Mas se há alguém que pode exagerar e agradar na mesma, é Tim Burton devido à aceitação que conquistou perante a grande maioria do público.
Sinceramente não recomendo. Existem muitos outros filmes, especialmente deste realizador, que valem muito mais o tempo investido.

Big Eyes
Ficha Técnica