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84 Charing Crossing Road

CRÍTICA
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Nota: 7,1

Este é um filme de 1987 que me foi sugerido pelo seu tema, os livros.
Mais do que explorar a temática dos livros, explora-a bem e fala sobre os alfarrabistas. O único filme que me lembro de ver que fala sobre alfarrabistas é o “Fading Gigolo” de John Turturro, com Woody Allen. No entanto, este último explora esta temática apenas como mote inicial do filme.
Como já se percebeu tenho o gosto pela leitura mas também adoro ir a alfarrabistas. Infelizmente este tipo de negócio deixou de ser rentável pelos achados que existem online. As pessoas que gostam de ir a alfarrabistas passaram a ser um nicho porque, neste momento, a ida até uma loja destas não é apenas motivada pelo preço mas por algo mais. Tem de haver o gosto por se estar rodeado de livros usados que já podem ter passado por vários donos e, inclusive, poderão ter dedicatórias de datas longínquas. A surpresa também é outra motivação. Podemos ver a ida a um alfarrabista como uma caça ao tesouro, onde vamos remexendo os livros até encontrarmos algo que nunca tínhamos ouvido falar mas que encaixa perfeitamente nos nossos gostos ou encontrar algo que procurávamos aos anos.
Vamos voltar ao filme propriamente dito.
Podemos começar por mencionar algo importante que é a participação de Anthony Hopkins. Neste filme vemos um registo mais natural deste grande actor que, à data, estava na casa dos 50 anos. Para mim, isto foi ver Anthony Hopkins muito jovem e com a mesma qualidade de representação a que estou habituado. Não que este papel tenha muito para explorar comparativamente a outros que desempenhou ao longo da sua carreira mas, a forma como encaixa em toda a história, é digna apenas de grandes actores.
No entanto, a personagem que mais gostei, a nível de representação, foi a de Helene (Anne Bancroft). A paixão que demonstrou pelos livros, a sua vida em torno das artes, a forma mordaz como escreve as cartas para a Marks & Co., o modo como espicaça o sr. Doel, tudo muito bom.
Falando de clichés, este filme explora o cliché dos escritores, ou artistas, fumarem. Este é um bom exemplo de um cliché de que gosto de ver a ser utilizado pois enriquece uma personagem que sem isso não estaria completa.
Através de Helene são-nos apresentadas ideias com as quais me identifico, como o amor pelos livros, explorar as diferentes edições, aquelas que mais se adequam às nossas necessidades e/ou gostos, escolher o melhor local para ler certo livro, ter momentos específicos da vida para certos temas e autores, entre outros.
Um pormenor de que não estava à espera foi o de Frank falar directamente para os espectadores. Tendo em conta o género e estilo do filme, fiquei simplesmente surpreso, e gostei.
Outra coisa que me agradou foi a forma como encaixam uma nova personagem na acção, escrevendo uma carta para a protagonista.
Todos estes pormenores juntos fazem deste filme um bom filme. Aconselho a verem e, para quem gosta de ler, a comprarem o livro. Apesar de ainda não o ter lido, já o ofereci e disseram-me que é muito bom. Hei-de ler.

84 Charing Crossing Road
Ficha Técnica
Título: 84 Charing Crossing Road capa-de-84-charing-crossing-road
Director: David Hugh Jones
Elenco: Género: Biografia, Drama, Romance
País: estados unidos da américa, reino unido
Ano: 1987